Ao observar um colega, numa fissura imensa em fumar, tenho algumas idéias. O fato é que ele estava do meu lado, inquieto, deu ums suspiro bem fundo e disse: "Tenho que ir até uma padaria, perto do shopping Cidade, preciso comprar um maço de cigarro no cartão, mas eu tinha prometido que não ira gastar no cartão". Vinte minutos depois ele volta e eu brinco: Já repôs o nível da nicotina? E ele: "Noossa, estou até melhor agora". O que me ocorreu é que ele é realmente escravo do cigarro, não consegue ser senhor de si mesmo. Não é pra ter dó ou penas porque cada um de nós tem uma luta dessas pra travar, alguns tem até inúmeras lutas pra travar. Fiquei pensando nas minhas próprias lutas, minhas próprias fraquezas, na facilidade que temos de fazer alguma coisa e na dificuldade de deixar de fazer outras. Um verso do Humberto Gessinger, letrista e vocalista da banda gaúcha Engenheiros do Hawai: Mas é impossível reprimir o que acontece toda vez, é impossível repetir o que acontece uma vez". E enquanto o garoto tenta ou não tenta lutar contra um vício, uma fraqueza sua, em volta a lutas e embates tremendos e muitas vezes seres que se entregam temporariamente aos seus senhores mais cruéis. Talvez eu pense no mundo como uma escola, e também poderia ser denominado campo de batalha, pois é onde lidamos frente a frente com nossos piores inimigos, os vícios, os sentimentos ruins, a perversidade, a falta de escrúpulos, a desonestidade. E o nível das batalhas, o próprio nível de crescimento das pessoas é diferente. E temos 365 dias em um ano e aproximadamente 90, 80 anos pra tecer um aprendizado e mergulharmos na escuridão da morte. Se pensarmos na morte como o fim, veremos que essas batalhas são inglórias e o melhor é realmente se entregar a elas. Se pensarmos na luz ou em viver o máximo do tempo nesse plano, aí sim, nos esforçamos por vencermos as nossas batalhas.